Clebson José Soares.

 

LOGÍSTICA REVERSA

 

LOGÍSTICA REVERSA - INTRODUÇÃO

Normalmente quando abordamos a Logística, apenas os aspectos inerentes ao planejamento das operações são visualizados, que regem desde a compra de matéria-prima até a entrega do bem produzido ao consumidor final; estuda-se o fluxo direto e as informações que sustentam este planejamento. De acordo a definição do Council of Supply Chain Management Profissionals norte americano citada em Novaes (2007:35):

“Logística é o processo de planejar, implementar, controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.” 

Com esta visão o fluxo reverso de materiais consistia em mais um custo a empresa, ocasionado por erros de expedição, estoques em excesso no canal de distribuição, produtos em liquidação, dentre outros. Atualmente a Logística Integrada trata de todos os fluxos, diretos e reversos, da cadeia como fator de diferencial competitivo para agregar valor ao desempenho global de qualquer organização. Neste cenário a Logística Reversa tem o papel de viabilizar o retorno de produtos ao ciclo produtivo, confirmando isso Leite (2003:16) afirma que:

“[..] a logística reversa por meio de  sistemas operacionais diferentes em cada categoria de fluxos reversos, objetiva tornar possível o retorno dos bens ou de seus materiais constituintes ao ciclo produtivo ou de negócios. Agrega valor econômico, ecológico, legal e de localização ao planejar as redes reversas e as respectivas informações e ao operacionalizar o fluxo desde a coleta dos bens de pós-consumo ou de pós-venda, por meio dos processamentos logísticos de consolidação, separação e seleção, até a reintegração ao ciclo”.

A Logística Reversa é uma realidade para as empresas, visto que o consumo desenfreado e a descartabilidade dos materiais geram resíduos que causam impactos ao meio ambiente em função da lenta decomposição, dentre estes materiais temos o PET (Polietileno de Tereftalato), um polímero resistente que pode ser remanufaturado e manter suas características físico-químicas.

a.      Problemática

O enorme desbalanceamento entre as pré-formas que são produzidas e as garrafas que retornam ao ciclo de negocio, foi o ponto de partida deste estudo de caso, visto que o maior problema da reciclagem das garrafas PET é a sua captação após o consumo. O PET mesmo sendo um dos plásticos mais reciclados do mundo, não possui uma Logística Reversa estruturada que equacione estes fluxos.

Por isso à análise dos Canais de Distribuição Reverso que levam as garrafas PET pós-consumo a unidade da Bahia Pet Reciclagem, para verificar numa ótica reduzida as proporções de produção e reciclagem, nesta que é uma empresa que atua nos fluxos direto e reverso da cadeia de suprimentos, demonstrando a responsabilidade empresarial que consolida a sua imagem corporativa.

O reduzido interesse econômico pelo PET reciclado também ratifica a importância deste estudo visto que a tecnologia de reprocesso destes polímeros tem um alto custo e não promove a economia necessária para viabiliza o processo, o que dificulta ainda mais a captação do PET pós-consumo; uma contradição, pois o PET faz parte de um canal reverso de ciclo aberto, ou seja, a resina advinda da reciclagem, não retorna ao ciclo de produção de novas garrafas, mas para ciclos de produtos de outros segmentos, tendo uma variedade de aplicação que deveria incentivar sua reciclagem e a otimização dos Canais de Distribuição Reversos do Pós-consumo.

LOGÍSTICA REVERSA: OUTROS CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Ministério do Meio Ambiente, 2013

A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é o "conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei”. (MMA, 2013).

“A logística reversa é instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação.”

A Lei nº 12.305/2010 dedicou especial atenção à Logística Reversa e definiu três diferentes instrumentos que poderão ser usados para a sua implantação: regulamento, acordo setorial e termo de compromisso. Acordo setorial é um "ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto”. Por permitir grande participação social, o Acordo Setorial tem sido privilegiado pelo Comitê Orientador como instrumento preferencial para a implantação de logística reversa.

2020 Sustentável - Logística Reversa e GSCS, 2011

O ponto principal da logística reversa é cuidar do produto após a sua utilização, fazendo com que ele seja reutilizado, diminuindo custos e impactos ambientais, como contaminação do solo. O resíduo industrial é um dos mais graves problemas ambientais.

"A logística reversa é a área da logística que trata dos aspectos de retornos de produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. É muito útil nos dias de hoje, onde estamos preocupados com o meio ambiente e custos. Colocando em pratica a reutilização de embalagens, as empresas economizarão em produção, evitarão consequências ambientais e ganharão um diferencia no mercado, pois ainda são poucos os que adquiriam essa estratégia. Quando se tem um diferencia sua empresa ganha status perante as outras.”

Além da parte econômica e ambiental a logística reversa é um atrativo para o consumidor, atualmente as pessoas estão mais conscientizadas e exigentes, ninguém quer ser culpado por comprar um objeto que prejudique o meio ambiente. A logística reversa é uma solução que garante a sustentabilidade do planeta e acaba gerando novas oportunidades de negócios para as empresas.

Logística Descomplicada, 2011

A logística reversa está associada, normalmente, às funções de pós-venda e pós-consumo. Quase sempre o enfoque é em levar de volta a alguns poucos centros um conjunto muito grande de materiais que foi distribuído para o consumo através da logística direta (Logística Descomplicada, 2011).

“Enquanto o papel da logística direta é levar do produtor para alguns centros de distribuição, destes para o mercado e finalmente para o grande público consumidor, a logística reversa faz o papel inverso, pegando os produtos altamente dispersos e devolvendo-os às suas origens para tratamento, disposição final ou reciclagem.”

No entanto, é possível aumentar o conceito de logística reversa e vê-la como um apelo à sustentabilidade. Não apenas dar destino adequado aos produtos no pós-consumo, mas controlar os resíduos gerados nas organizações.

Revista portuária, 2007

Nos últimos anos, a Logística Empresarial vem sofrendo uma constante evolução, sendo considerado um dos principais elementos na elaboração do planejamento estratégico, e muitas vezes responsável por enorme geração de vantagem competitiva às empresas. A partir dos anos 90 com a constante preocupação sobre a utilização dos recursos naturais, assim como o acúmulo de produtos industrializados nos grandes centros.

As grandes empresas passaram a serem as culpadas pela sociedade por este problema. As grandes organizações passaram a ter uma nova preocupação; como seria possível encontrar a resolução para esta situação sem gerar aumento de custos e despesas. Com o advento deste cenário surgiu o conceito de Logística Reversa (Revista Portuária, 2007).

“Define-se como Logística Reversa, a área que planeja, opera e controla o fluxo, e as informações logísticas correspondentes ao retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, através dos Canais de Distribuição Reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, competitivo, de imagem corporativa, dentre outros.”

A implantação da Logística Reversa vem atender ao público cada vez mais consciente e sensível quanto à prevenção do meio ambiente, tanto que se tornou uma das mais importantes decisões estratégicas face ao crescente ambiente de competitividade presente nas empresas modernas, que vivem em constante busca por soluções que agreguem valor perceptível aos seus consumidores finais.

A POLÍTICA NACIONAL DE RESIDUOS SÓLIDOS - PNRS

A PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi instituída pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 regulamentada pelo Decreto Nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010 (Presidência da República, Casa Civil, 2010).

“Art. 1o  Esta Lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis”.

Entre os conceitos introduzidos em nossa legislação ambiental pela PNRS estão a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a logística reversa e o acordo setorial. A Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS reúne o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos.

Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Da mesma forma, as empresas possuem metas de redução, reutilização, reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de resíduos sólidos e rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada.

De acordo com a PNRS, é instituída a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a ser implementada de forma individualizada e encadeada, abrangendo os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Estes são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

A política aplica-se à:

  • Pilhas e baterias;
  • Pneus;
  • Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
  • Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;
  • Produtos eletroeletrônicos e seus componentes;
  • Embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, e aos demais produtos e embalagens, considerando, prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados.

RESULTADOS

As 50 Empresas do Bem, que atuam com Logística Reversa no Brasil

“Um dos maiores desafios do Brasil, a gestão de resíduos virou lei. Conheça algumas companhias que saíram na frente e criaram projetos que aliam sustentabilidade econômica, sócia e ambiental.”

Durante muito tempo, os brasileiros jogaram no lixo, literalmente, uma montanha de dinheiro, estimada em R$ 8 bilhões por ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Essa conta se refere apenas aos recursos que deixam de ser ganhos com o reaproveitamento dos resíduos no próprio sistema produtivo da empresa ou com a venda de insumos, como plásticos, alumínios e vidros, para reciclagem.

Logística Reversa. Fonte: portogente.com.br

Além do aspecto financeiro, essa postura ajuda a agravar o quadro de doenças e tragédias que assolam o País. É que aquela inofensiva garrafa PET largada nas ruas de uma cidade como Recife pode ter um efeito desastroso na vida dos cidadãos, especialmente em dias de chuva. A partir de junho de 2010, porém, essa história tem grandes chances de mudar. Foi à mola propulsora, a Lei de Resíduos Sólidos (12.305/2010).

Em linhas gerais, ela obriga todas as companhias a montar um esquema para recolher e dar destino correto aos insumos gerados por sua atividade. Em outras palavras, a chamada logística reversa. Apesar de chegar atrasado nessa corrida países como Estados Unidos, Japão e Alemanha adotaram dispositivos semelhantes a partir da década de 1970, o governo brasileiro espera recuperar o tempo perdido. Nossa lei é baseada nas últimas diretrizes da União Europeia, diz Silvano Silvério da Costa, secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente.

Tabela 01. As 50 Empresas do Bem

As 50 Empresas do Bem, divididas por categoria de projetos

Energia

Embalagem

Reciclagem

Gestão de Resíduos

Equipamentos

1- Sabesp

11 - Baran

21 - Camargo Corrêa

31- Wal Mart

41 - Estre Ambiental

2 - Mafrig/Seara

12 - Nestlé

22 - Vulcan

32- Ambev

42 - Braskem

3- McDonald's

13 - Pão de Açúcar

23 - Santander

33 - Spal

43 - Chevron Brasil

4 - Solvi

14 - Natura

24 - HSBC

34 - Baxter

44 - Sul América

5 - Embaré

15 - Green Business

25 - Renault

35 - Codesp

45 - Light

6 - Monsanto

16 - Novelis

26 - Fiat

36 - BM&F Bovespa

46 - Itautec

7 - Vale

17 - O Boticário

27 - W Torre

37 - Withe Martins

47 - Café Bom Dia

8 - Petrobras

18 - Merail Brasil

28 - Denovo

38 - Cyberlar

48 - Natural Brasil

9 - Souza Cruz

19 - Bombril

29 - Bradesco

39 - Levi's

49 - Itaú Unibanco

10 - Copel

20 - Philips

30 - Banco do Brasil

40 - Arcelor Mittal

50 - Tetra Pak

Abaixo mostraremos por ordem alfabética, algumas dessas Empresas dos mais diversos ramos, e que colaboram para que essa Logística Reversa consiga alcançar sua plenitude, consiga ter êxito: Ambev; Braskem; Denovo ; HSBC; Natura; O Boticário; Pão de Açúcar

  • Ambev (32)

Não é só com a venda de cervejas que a Ambev, donas das marcas Brahma e Antártica, engorda seu caixa. No ano passado, 98,2% de todos os subprodutos gerados no processo de fabricação de bebidas foram reaproveitados. Na ponta do lápis, a empresa gerou uma receita extra de R$ 80,3 milhões só com a política de redução de impactos ambientais, como a reciclagem de garrafas PET.

PET triturado pronto para voltar a sua cadeia produtiva. Fonte: istoedinheiro.com.br

  • Braskem (42)

Nos últimos dez anos, a direção da gaúcha, Plásticos Suzuki viveu uma espécie de obsessão. O que fazer com o plástico descartado em seu processo produtivo. A resposta surgiu há três anos, com a criação de uma máquina capaz de transformar esse material em ripas de plástico madeira. Esse trabalho é o embrião de um projeto maior de sustentabilidade no qual a Braskem pretende apostar nos próximos anos.

Isso será feito por meio da doação de equipamentos para separar e pré-processar os diversos tipos de plástico, transformando-os em grãos, por exemplo. Com isso, esperamos melhorar a renda média dos cooperados, afirma Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem.

Ciclo Logístico Reverso de PET da Braskem. Fonte: blog.ecobrindes.com.br

O equipamento, resultado de um investimento de R$ 50 milhões, chamou a atenção da gigante Braskem, braço petroquímico do grupo Odebrecht, que fez uma parceria com a Suzuki. Graças a esse acordo, lixeiras, bancos e floreiras podem ser vistos hoje em praças e escolas públicas de Porto Alegre, São Paulo, Paulínia (SP) e Maceió.

  • Denovo (28)

A união de garrafas PET com retalhos transforma-se em moda para a fabricante de tecidos Denovo.

Logística Reversa (coleta de PET). Fonte: istoedinheiro.com.br

Não há um único fio produzido pela empresa que não seja fruto de reciclagem. Criada em 2009, a Denovo reutiliza, anualmente, 400 mil garrafas PET e 600 toneladas de sobras de tecidos, compradas em outras tecelagens, para produzir suas malhas. Depois de coletadas, as garrafas são higienizadas, moídas, derretidas e transformadas em poliéster.

“O mesmo acontece com os tecidos, que viram fio novamente. A combinação de resistência e elasticidade desse poliéster com a maciez do algodão proveniente dos retalhos compõe os tecidos da Denovo. Reciclando resíduos, reduzimos o volume de lixo nos aterros sanitários, economizamos petróleo e geramos mais empregos e renda”, afirma Ric Viana, gerente de marketing da Denovo.

  • HSBC (24)

De acordo com Claudia, o banco fez um levantamento das cidades que possuem coleta seletiva e também das que contam com grandes cooperativas de catadores. No total, são 100 ONGs que participam desse projeto e recolhem o lixo em 270 agências no Brasil. Até o final de 2011, o programa atenderá a 400 agências, cerca de metade de sua rede.

Logística Reversa (coleta seletiva de PET). Fonte: istoedinheiro.com.br

“Assim como os objetivos financeiros típicos de um banco, metas como reduzir a geração de resíduos e o impacto ambiental são traçadas e cobradas pela matriz inglesa do HSBC. Enviamos relatórios trimestrais e realizamos áudio conferências com frequência para mostrar os resultados.”, diz Claudia Malschitzky, diretora do Instituto HSBC Solidariedade.

  • Natura (14)

Presente em mais de 15 países, com faturamento de R$ 5,1 bilhões em 2010, a Natura é uma empresa conhecida por ter a sustentabilidade em seu DNA. E uma das principais referências da empresa nessa área é o programa de Logística Reversa, que compreende uma série de estudos e ações para monitorar o ciclo de vida das embalagens recicláveis de seus cremes, xampus e maquiagens.

Logística Reversa (embalagens com PET reciclado pós-consumo). Fonte: abstratil.com.br

O projeto consiste em utilizar a logística já existente para retirar de circulação essas embalagens e materiais de divulgação já usados, para encaminhá-los à reciclagem. Criada em 2007, a Logística Reversa da Natura recolheu, em quatro anos, 500 mil toneladas de resíduos em São Paulo, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Esse programa faz parte de uma série de ações para reduzir o impacto de nossos produtos ao meio ambiente, afirma Andressa de Mello, gerente de sustentabilidade da Natura. Uma das principais iniciativas, fruto desse programa, foi o desenvolvimento de embalagens de polietileno verde, produzido a partir da cana-de-açúcar 100% reciclável.

  • O Boticário (17)

Conscientizar vendedores, consultores e consumidores da marca sobre a importância da reciclagem das embalagens dos produtos, impedindo o descarte na natureza, é a missão do Programa Bioconsciência, colocado em prática pela empresa de cosméticos paranaense O Boticário.

“Os consumidores levam as embalagens vazias a um coletor, instalado no interior das lojas credenciadas. Além de reduzir o impacto ambiental, o programa também beneficia comunidades que trabalham com reciclagem nas regiões de atuação da marca”, diz Malu Nunes, gerente de sustentabilidade do Boticário.

Logística Reversa (ponto de coletas). Fonte: istoedinheiro.com.br

Esses resíduos são enviados a empresas especializadas, que fazem a reciclagem da embalagem e sua reinserção como matéria-prima em diversos ciclos produtivos. Nos primeiros 18 meses do programa, que começou de maneira experimental em lojas do Recife (PE), Campinas (SP), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), foram recolhidas 80 mil embalagens.

  • Pão de Açúcar (13)

O maior grupo de varejo do Brasil, o Pão de Açúcar, foi um dos pioneiros no Brasil no uso de práticas de sustentabilidade. Além dos chamados três Rs: reduzir, reutilizar e reciclar a companhia colocou na equação mais três elementos: conscientizar, engajar e educar.

Logística Reversa (sacola de material PET reciclado). Fonte: istoedinheiro.com.br

“Elegemos três públicos-alvo para levar esta estratégia a cabo: os clientes, os colaboradores e os participantes da cadeia de valor, como fornecedores e provedores de soluções”, afirma Hugo Bethlem, vice-presidente executivo do grupo.

A rede varejista lançou oficialmente um programa no Dia do Meio Ambiente, em junho de 2011, destinado a estimular os consumidores a reduzirem a utilização de sacolas plásticas em prol das retornáveis.

ABIPET - Associação Brasileira da Indústria do PET

ABIPET - Associação Brasileira da Indústria do PET é uma entidade sem fins lucrativos que reúne a cadeia produtiva do setor de PET: fabricantes da resina PET, fabricantes das embalagens de PET e seus recicladores. A Entidade representa cerca de 80% da Indústria do PET no Brasil e é a maior deste segmento em toda a América Latina. Fundada em 1995, a ABIPET tem como objetivos promover a utilização e reciclagem das embalagens de PET, incentivar o desenvolvimento tecnológico, aplicações para o PET reciclado e divulgar as ações do setor.

Como representante da Indústria de Embalagens de PET, a ABIPET divulga, incentiva e apoia o desenvolvimento de novas aplicações para o PET Reciclado, cumprindo devidamente o papel que cabe a indústria na preservação ambiental. Graças a essa atividade, a reciclagem de PET cresceu 16 vezes desde a fundação da entidade, criando todo um novo setor industrial que demanda o PET reciclado como insumo.

A Abipet estabelece um intercâmbio de ideias, informação e experiência entre todas as indústrias da cadeia produtiva, mantendo um serviço informativo permanente para todos os assuntos ligados direta ou indiretamente à industrialização e comercialização das embalagens PET. Para atingir seus objetivos, a associação interage intensamente com entidades empresariais, fabricantes de embalagens, organizações ambientalistas, com o governo e muitos outros atores, abrindo espaço para discussões e esclarecimentos científicos sobre o setor.

  • Fabricação das Garrafas e Frascos: o Sopro das Pré-formas

A transformação da resina PET em garrafas, frascos, potes ou outros tipos de embalagem, ocorre em 7 etapas distintas e as três últimas são aquelas referentes à produção da garrafa propriamente dita:

  • Secagem;
  • Alimentação;
  • Plastificação;
  • Injeção;
  • Condicionamento;
  • Sopro;
  • Ejeção do produto.

ABIPET - LevPET

O Levpet, presente no site da ABIPET, é um sistema para a destinação adequada do PET pós-consumo. O LevPET - Locais para Entrega Voluntária do PET, se utiliza o Google Maps para indicar postos de coleta de garrafa PET. Ele mostra onde estão às cooperativas, entidades, pontos de entrega e comércio de reciclagem mais próximos do usuário.

Através do site www.levpet.eco.br, é possível cadastrar todos os Locais de Entrega Voluntária da sua cidade, colaborando para a Educação Ambiental e para o atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos – tanto por parte do cidadão quanto da Prefeitura: em breve, materiais recicláveis serão proibidos em Aterros Sanitários.

É totalmente gratuito e rápido: basta acessar o site, clicar em Sugerir Novo Ponto e preencher os dados. Não há limite para indicação de novos pontos. É seguro, confidencial e livre de spams: nenhuma mensagem posterior será enviada, você não receberá propaganda de nenhum tipo. Todas as indicações serão checadas antes de entrar no ar, garantindo a eficiência e qualidade do serviço. Será possível indicar:

  • LEVs da própria Prefeitura ou de particulares (como supermercados ou condomínios);
  • Locais de comércio (assim o cidadão interessado poderá vender suas embalagens usadas);
  • Cooperativas de Catadores;

Sistema de busca para a destinação adequada do PET

O sistema é fácil de acessar, através do site www.levpet.eco.br, é possível além de cadastrar os Locais de Entrega Voluntária em nossa cidade, o mesmo conforme mostra a ilustração abaixo, localiza os pontos entrega (coletas) já existente no sistema também. Para isso, basta apenas preencher o espaço que fica em branco, com o nome da cidade e estado (demarcação circulatória em vermelho), e em seguida clicar na opção pesquisar.

Sistema de busca para a destinação adequada do PET. Fonte: modificado de ABIPET

Logo então, aparecerá um mapa (google maps), mostrando os pontos de entregas, como também, os comércios de reciclagem e cooperativas, localizados na cidade e estado de sua opção, conforme mostra a ilustração abaixo. Dependendo da cidade e estado a ser pesquisado, também existirá a opção de “entidade”.

Google maps (comércio de reciclagem, pontos de entregas; cooperativas). Fonte: modificado de ABIPET

Google maps (comércio de reciclagem, pontos de entregas cooperativas, e suas cidades). Fonte: modificado de ABIPET

Google maps (ponto de entrega LevPET). Fonte: modificado de ABIPET

Google maps (comércio de reciclagem LevPET). Fonte: modificado de ABIPET.

Google maps (cooperativa LevPET). Fonte: modificado de ABIPET

Também no próprio sistema LevPET, existe uma função, chamada de “filtro”, na qual seleciona-se apenas a opção desejada (comércio de reciclagem; ponto de entrega; entidade e cooperativa), conforme mostra ilustração abaixo (figura A), onde as mesmas, as opções, são caracterizadas pelas cores: azul; vermelha, verde e lilás, respectivamente.

E ao selecionar a opção desejada, como por exemplo, a opção (ponto de entrega), o sistema automaticamente filtrara de acordo com a sua opção, conforme também mostra na ilustração abaixo.

Figura A - Ffitro LevPET. Figura B - Pontos de entregas. Fonte: modificado de ABIPET                                        

E assim sucessivamente para as demais opções, conforme mostra abaixo no painel de ilustrações LevPET. Ilustração A, para opção de cooperativas; ilustração B, para opção de comércio de reciclagem, e ilustração C, para opção de entidade.

Uma curiosidade nesse ultimo caso (ilustração C), dar-se por conta do não aparecimento, no google maps, da indicação da entidade (indicação em  verde), conforme solicitado no sistema de filtragem.

A verdade, é que a pesquisa feita neste exemplo foi para o estado de Pernambuco, onde não se tem entidades (associações, institutos, grupos ecológicos) ligadas ao LevPET, onde em sua maioria encontra-se localizadas entre os eixos Sul e Sudeste.

Painel de ilustração LevPET (sistema de filtragem e google maps (comércio de reciclagem, cooperativas). Fonte: modificado de ABIPET. Elaboração própria: SOARES, 2012.

Reciclagem - Aplicações para PET Reciclado

A transformação do PET reciclado pode acontecer de maneiras diferentes conforme o produto final que irá ser fabricado com a matéria-prima reciclada. Vários setores da economia utilizam produtos que levam PET reciclado. Dessa forma, estamos sempre em contato com algum artigo feito com PET reciclado. Veja só:

  • Em casa

Suas roupas e os cabides que as mantém em ordem. Seus edredons, travesseiros e mantas. Tapetes e carpetes. Os bichos de pelúcia também têm PET Reciclado. Embalagens de produtos de limpeza e de alimentos. Os vasos do jardim têm mantas - que mantém a terra no lugar – de PET Reciclado. As cordas do varal e as vassouras também são de PET reciclado. Vejamos todas as ilustrações no painel abaixo.

Painel ilustrativo de PET reciclado (uso doméstico). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Na escola ou no escritório

Réguas, relógios, porta lápis e canetas. Materiais de uso diário e constante.

PET reciclado (uso escolar e escritório). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Construção Civil

São caixas d’água, tubos e conexões, torneiras, piscinas, telhas. Mármore sintético, com PET Reciclado, é usado para produção de bancadas e pias. Tintas e vernizes usam PET Reciclado na sua fabricação. Vejamos todas as referidas ilustrações no painel abaixo.

Painel ilustrativo de PET reciclado (construção civil). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Indústrias de Automóveis e Caminhões

Todos os carros nacionais têm seus revestimentos de carpete produzidos com 100% de PET reciclado. Elementos termo-acústicos aumentam o conforto ao dirigir. Forração do teto, tampas de bagageiro. Para-choques, partes da cabine e elementos aerodinâmicos, que ajudam a reduzir o consumo.

PET reciclado (indústrias de automóveis e caminhões). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Sinalização: viária, internas e externas

Placas indicativas de direção, luminosos, sinalização horizontal. Displays e indicadores.

PET reciclado (Sinalização: viária, internas e externas). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Transporte Coletivo

Banco de ônibus, trens e metrô têm PET Reciclado. A carenagem interna do metrô também.

PET reciclado (transporte Coletivo). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Material Esportivo

Bolas, chuteiras, bancos dos estádios. O uniforme dos jogadores, as redes do gol. O gramado tem sistemas para drenagem da água da chuva que usa uma manta 100% PET reciclado.

PET reciclado (material esportivo). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Nas indústrias e no Varejo e no uso geral

As fitas de arquear de PET são mais resistentes que as equivalentes de metal, com a vantagem de não enferrujar e não colocar em risco o trabalhador que manipula um fardo ou qualquer outro artigo que necessite desse tipo de artigo de segurança. As cordas de PET amarram cargas nos caminhões e mantém navios atracados no cais.

PET reciclado (indústrias, varejo e uso geral). Fonte: modificado de ABIPET.

  • Comunicação

Depois de descobrir tantos produtos feitos com PET reciclado que estão presentes no dia-a-dia de todos, você pode espalhar essa boa notícia usando um moderno telefone celular – que também tem PET reciclado!

Figura xx - PET reciclado (comunicação). Fonte: modificado de ABIPET.

__________________________________________________________________________________________________________________________________

Fontes:

  • 2020 SUSTENTÁVEL - LOGÍSTICA REVERSA E GSCS, O que é Logística Reversa. Disponível em Acesso em: 29 Mai 2013.
  • ABIPET - Associação Brasileira da Indústria do PET, LevPET, Sistema de busca para a destinação adequada do PET. Disponível em Acesso em: 30 Mai 2013.
  • ABIPET - Associação Brasileira da Indústria do PET, Reciclagem - Aplicações para PET Reciclado, Aplicações para o PET Reciclado. Disponível em Acesso em: 30 Mai 2013.
  • GREENPEDIA DO GREENVANA, Produtos, Serviços e Projetos, LevPET. Disponível em Acesso em: 30 Mai 2013.
  • ISTO É DINHEIRO, Negócios, As 50 Empresas do Bem. Disponível em Acesso em: 30 Mai 2013.
  • LEITE, Paulo Roberto.  Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
  • LOGÍSTICA DESCOMPLICADA, Logística reversa e sustentabilidade, Logística reversa e sustentabilidade. Disponível em Acesso em: 29 Mai 2013.
  • MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, Cidades Sustentáveis, Logística Reversa. Disponível em Acesso em: 29 Mai 2013.
  • NOVAES, Antonio Galvão.  Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação.  3° ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
  • PORTAL PLANALTO, Presidência da República Casa Civil, LEI Nº 12.305, DE 2 DE AGOSTO DE 2010 - PNRS. Disponível em Acesso em: 29 Mai 2013.
  • REVERSO LOGÍSTICA, Logística Reversa de Produtos Impróprios para Consumo e Política Nacional de Resíduos Sólidos, A Política Nacional de Resíduos Sólidos. Disponível em Acesso em: 29 Mai 2013.
  • REVISTA PORTUÁRIA, Economia & Negócios, Logística Reversa – Reversa Logística. Disponível em Acesso em: 29 Mai 2013.

__________________________________________________________________________________________________________________________________

Clebson José Soares.

Contato

"O mundo PET! Onde todos os PET são plásticos, mas nem todos os plásticos são PET".

clebson_jsoares@hotmail.com

+55 81 9 98932119

Pesquisar no site

clebsonjsoares© 2013 Todos os direitos reservados.

Crie um site grátisWebnode